sexta-feira, 3 de julho de 2015

Crianças, MPF, consciência ambiental e gestão da água

No dia 24/6/2015 recebemos na sede da Procuradoria Regional da República em São Paulo a visita de alunos da EMEI Duque de Caxias, localizada no bairro do Glicério, zona central de São Paulo.

Fabíola, Silvinha, Leda e os alunos
Dias antes, as valorosas servidoras do MPF Fabíola de Figueiredo Beda, Leda Márcia Monteiro Conti Costa Lima e Silvia Kazumi Kumoto Fukuoka tinham ido até a escola para falar sobre meio ambiente e Gestão da Água, para conscientizar os pequeninos sobre a necessidade de usar com parcimônia e proteger esse bem tão valioso e que, infelizmente, ainda não recebe das nossas autoridades a atenção que deveria ter. "Cada gota conta!"

Os melhores trabalhos sobre a gestão da água foram o critério de seleção para os alunos que visitaram a sede do MPF, alunos da quarta a sexta série.


Nós e a Professora Vanessa
Estando no exercício da chefia da Procuradoria recebi os alunos, que estavam visivelmente pouco à vontade, tímidos por visitar um prédio público, grande, com muitas salas e elevadores, ambientes que não fazem parte da sua realidade cotidiana. 

Ao vê-los, me apresentei com um simples "oi, eu sou a Janice" e convidei-os a sentar comigo... no chão! :)) Imediatamente a conexão se formou. 

Conversamos bastante sobre o que nós, cidadãos grandes e pequenos, podemos e devemos fazer para economizar esse bem tão importante e valioso para nossa sobrevivência que é a água. Falamos também sobre o lixo que a gente produz e sobre consumo sustentável.

Fiquei impressionada com a consciência ambiental dos pequenos!

Os alunos e a Procuradora Sandra Kishi
Depois de um papo gostoso, descemos ao auditório da Procuradoria, onde eles assistiram no telão um vídeo sobre as atividades realizadas na escola. Ganharam diplomas de participação da Procuradora Sandra Kishi. Subimos ao refeitório e eles tomaram um lanchinho, composto por um achocolatado, sanduíche de presunto e queijo e bolo de cenoura com chocolate. Do 15º andar, eles adoraram ver a cidade lá de cima!

Fiquei com o coração apertado de imaginar que, para alguns, essa seria a melhor refeição do dia. Talvez a única. Talvez a melhor da semana.

Ao lado deles, um anjo da guarda: a Professora Vanessa. Uma mulher iluminada, de grande valor e extrema dedicação aos alunos, que muitas vezes fornece material do próprio bolso - sabedora de que, como já ocorreu várias vezes, estojos, lápis e cadernos serão vendidos pelos pais para comprar comida ou drogas. 

É um choque de realidade, um tapa na cara da sociedade. 

Conheço bem essa realidade, porque por muitos anos minha mãe foi professora da rede estadual lá nas franjas da periferia de São Paulo. Muitas vezes eu a acompanhava, na sua nobre missão de levar a arte e a música a essas crianças como paliativo para a vida sofrida e sem perspectiva. Convivemos, ela e eu, com esse cotidiano bruto, duro, implacável, que empurra nossas crianças para um cenário amargo e sem alternativas.

Os alunos da EMEI Duque de Caxias ficaram felizes com a visita o MPF. Nós, do MPF, ficamos muito mais!

Como eu disse às crianças, a minha geração acabou com o planeta, mas a geração deles poderá salvá-lo.  Essa é a minha esperança!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Rei do blues e os Ascari

 No começo de 2010, fomos  ver o show de B. B. King na extinta Via Funchal (era a melhor casa de shows de São Paulo! fechou de uma hora para outra...)

O Rei do blues e sua inseparável Lucille (como ele batizou sua guitarra) nos brindaram com um show incrível, de cerca de duas horas.

Um B. B. King já idoso, acima do peso, andando com dificuldade, que precisou de amparo para entrar no palco. Ficou o tempo todo sentado numa cadeira. Mas firme na sua arte e na sua Lucille.

O brilho de seus olhos podia ser visto de qualquer canto do recinto.

A técnica, a musicalidade, a facilidade com que ele manuseava Lucille eram impressionantes, hipnotizantes. Um verdadeiro mago. Mestre. Simples. Pura emoção. Parecia o avô de alguém mostrando aos mais novos como se divertir com a música. Mas também transmitia um sentimento profundo em cada nota, em cada arranjo. A música simplesmente fluía.

Terminado o show, corremos para a beira do palco com um LP nas mãos (sim, amigos, nós colecionamos vinis!), pois haviam dito que ele costumava ficar por ali depois do show, dando autógrafos e conversando com os fãs. Fomos informados de que naquela noite, excepcionalmente, o Rei não atenderia os fãs pois tinha viagem marcada para outro país logo em seguida.

Meio murchos, pegamos o carro no estacionamento e rumamos para casa, embora muito felizes de ter tido a oportunidade de ver o Rei em ação.

Cerca de 3 quarteirões depois, num farol, vimos um rapaz na esquina ajoelhar-se e fazer uma saudação de reverência com os braços. Por um momento achei que o sujeito era mais um dos malucos que transitam por São Paulo até perceber que, bem na frente do nosso carro, estavam três veículos Audi, sendo um preto na dianteira, um maior dourado no meio e outro preto em terceiro lugar. Raciocínio rápido: o patrocinador do show era a Audi - imediatamente a ficha caiu: estávamos, por obra de Deus e do destino, bem atrás do carro do Rei!!!!

Resolvemos segui-lo. Vejam bem: segui-lo - não persegui-lo. Mantivemos a discreta posição de quarto carro da comitiva, que seguiu até o Hotel Intercontinental, na Alameda Santos, em São Paulo.

Na pérgula de acesso ao hotel, os Audi pararam. Descemos do carro deixando as portas abertas e o motor ligado, o que alertou os seguranças do Rei. Em inglês, meu filho disse que era apenas um fã à procura de um autógrafo. O Rei estava descendo do carro. Olhou para ele, sorriu e fez um sinal de aproximação com a mão, dizendo: C'mon, boy!

Com a capa do disco e caneta na mão, nos aproximamos emocionados, despejando frases como "You´re the best", 'It's an honour", "We love you", "You're an inspiration"  e outras, para Ele  provavelmente desconexas. O Rei assinou o disco, posou para uma trêmula foto (feita por mim com o celular) com seu jovem fã  e - sempre sorrindo! - apertou a mão dele e disse "Good night, thank you guys" e entrou no hotel para o merecido descanso.


Uma foto, que virou um quadro.

Um disco autografado, que não tem preço.



Um momento mágico, único, que ficará para sempre em nossas mentes e em nossos corações.


Brilhe lá no céu, B. B. King! You are the best.






sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Quais providências Janot pode tomar na Lava Jato?

Foto: Vagner Rosario/UOL

Nos últimos dias tenho lido aqui e ali muita bobagem no sentido de que o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot iria apresentar diversas denúncias dos envolvidos na Operação Lava Jato, mas que teria 'voltado atrás'. 

Tudo isso é pura especulação, má fé ou desinformação propositadamente disseminada para desqualificar o acusador.

O Procurador-Geral da República é o membro do Ministério Público que atua perante o Supremo Tribunal Federal. Tem entre suas atribuições os processos criminais contra as autoridades que têm foro especial por prerrogativa de função perante o STF, conforme artigo 102 da Constituição Federal: Presidente da República, Vice-Presidente, membros do Congresso Nacional, Ministros do STF, Procurador-Geral da República, Ministros de Estado, Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, membros dos Tribunais Superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente.

Ao receber qualquer notícia de fato criminoso, o Procurador-Geral da República analisa o caso e pode adotar uma das seguintes medidas:

  • Se o caso não envolve autoridade com foro especial no STF, o PGR o remeterá a outro colega do MP, Federal ou Estadual, que tenha atribuição.

  • Se não houver crime (se se tratar, por exemplo, de um ilícito civil ou administrativo), promoverá o arquivamento.
  • Se precisar colher mais elementos para elucidar os fatos, o PGR poderá: a) realizar diretamente diligências investigatórias - e isso é feito na exata forma previamente estabelecida no Regimento Interno do Gabinete do PGR; b) solicitar ao STF a instauração de Inquérito (que não é policial, mas sim Judicial, obedecendo ao rito da Lei nº 8038/90 e do Regimento Interno do STF)

  • Se já tiver em mãos todos os elementos para tanto, oferecerá denúncia, que é a formalização da acusação perante o Poder Judiciário.



Isso vale para a Lava Jato ou para qualquer outro caso.

O PGR jamais declarou o que está sendo feito. 

Qualquer 'previsão' nesse sentido é chute. Ou melhor, é bola fora.