quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Responsabilização criminal de prefeitos

Procuradores apresentam diretrizes para responsabilização de prefeitos

13/12/2011 16:36
Palestras foram realizadas no 11º Encontro Nacional da 2ª Câmara

A atuação no combate ao desvio de verbas federais repassadas por convênios realizados com prefeituras foi tema das palestras realizadas no primeiro dia do 11º Encontro Nacional da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. O evento teve início ontem, dia 12 de dezembro, e segue até esta quarta-feira, dia 14.

A procuradora regional da República e membro suplente da 2ª CCR, Mônica Nicida, contou que o Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Corrupção, Apropriação e Desvio de Verbas Federais nos Municípios foi criado a partir da percepção de que compartilhar experiências e disseminar boas práticas seria mais eficiente do que continuar a exercer um trabalho individual.

Mônica Nicida destacou também que, apesar de parecer evidente e banal a ideia de que a não-aplicação de verbas atinge diretamente os direitos humanos, não foi esse o enfoque que motivou o início do movimento internacional de combate à corrupção. Na verdade, ressaltou ela, o mote inicial foi o interesse de multinacionais norte-americanas que queriam garantir a concorrência no exterior, estendendo aos demais países a proibição de dar propinas a funcionários estrangeiros para obter grandes contratos.

Em sua apresentação, a procuradora regional da República Janice Ascari afirmou que o GT de Enfrentamento à Corrupção, do qual é coordenadora, foi criado em 2010 na perspectiva do uso do direito penal como instrumento de proteção dos direitos humanos e é formado apenas por procuradores regionais da República.

Atuação integrada - Já no início do GT, a Procuradoria Geral da República assinou um protocolo de atuação integrada com a Controladoria Geral da União. Além disso, tem realizado atuações conjuntas com outros órgãos de controle e fiscalização, como o Tribunal de Contas da União e a Polícia Federal. O foco do grupo são os convênios com prefeituras para a transferência de verbas federais.

“Há muitos convênios para os quais nem se prestam contas. Vamos chamar os prefeitos à sua responsabilidade criminal, para serem processados e julgados ainda no exercício do cargo, e, como consequência, enquadrá-los na Ficha Limpa”, explicou. O GT também tem como meta a atuação simultânea e coordenada entre as cinco Procuradorias Regionais da República, integração entre os três graus de atuação do MPF e interface com a improbidade.

Janice Ascari ressaltou que, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a corrupção custou ao Brasil entre R$ 50,8 bilhões e R$ 84,5 bilhões em 2010, ou seja, entre 1,38 a 2,3% do Produto Interno Bruto.

Procedimentos - Na primeira fase do trabalho, o GT pediu informações à CGU sobre convênios celebrados entre atuais prefeitos e os Ministérios da Saúde, da Educação e do Transporte sobre os quais não houve prestação de contas, o que somava mais de R$ 513 milhões. Em um segundo momento, foram incluídos também os Ministérios dos Esportes e das Cidades, e o GT recebeu dados de convênios com os cinco Ministérios, que totalizaram mais de R$ 180 milhões. Nessa fase, além da ausência de prestação de contas, foi ampliado o objeto para a tomadas de contas especiais e os relatórios de demandas especiais.

Segundo Janice Ascari, entre os problemas encontrados para a atuação do GT estão a ausência de norma que defina o prazo para a prestação de contas, a falta de regularidade na alimentação do Sistema de Gestão de Convênio (Sicov) e a ausência de sanções no caso de não-inserção desses dados.

Denúncias oferecidas - A coordenadora do GT afirmou que, até o momento, a PRR1 ofereceu 77 denúncias, com 11 recebidas e três rejeitadas, e a PRR3 ofereceu 5 denúncias, com uma recebida e uma rejeitada. Além disso, procedimentos de investigação estão em andamento em todas as PRR's.

Para a procuradora regional da República Raquel Branquinho, o GT trouxe um enfoque diferenciado ao trabalho dos procuradores regionais, que até então não tinham uma dinâmica de atuação proativa na investigação de crimes com prerrogativa de foro. “A gente atuava mais a reboque do trabalho de primeira instância, quando havia a remessa porque algum investigado detinha prerrogativa ou por denúncias esparsas, sem metodologia”, explicou.

Nessa perspectiva, complementa Raquel Branquinho, o membro do MPF pode evitar a prescrição atuando originariamente na investigação ou pela instauração de um inquérito policial direcionado para os fatos que ele já verificou e vão ter repercussão penal, e com as diligências que ache necessária, especialmente em relação à autoria.

A procuradora regional explicou como foram as etapas de atuação da PRR1, que possui grande abrangência territorial, nesse trabalho.

Ex-prefeitos - Também presente no evento, o procurador da República José Godoy apresentou as diretrizes para a persecução de crime de responsabilidade de ex-prefeito. Além disso, destacou as dificuldades para esse trabalho, como a proximidade da prescrição e a dificuldade na juntada de provas, e citou as formas como os crimes chegam ao conhecimento do MPF, que é o caso dos relatórios da CGU, conclusão de processos do TCU e dos Ministérios concedentes, representações, denúncias anônimas e declínios de atribuição das PRR's.

Para José Godoy, é importante a integração com órgãos envolvidos na fiscalização da aplicação dos recursos e a existência de uma equipe de servidores integrados e motivados.

(informações da Asessoria de Comunicação da Procuradoria-Geral da República)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Combate à Corrupção: faça a sua parte.





Hoje, 9 de dezembro, é o Dia Internacional de Combate à Corrupção. A data é celebrada porque nesse dia, em 2003, foi assinada na cidade de Mérida - México, a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Corrupção.

O Brasil é signatário da Convenção, que foi aqui ratificada pelo Decreto Legislativo nº 348, de 18/5/2005 e promulgada pelo Decreto presidencial nº 5.687, de 31/1/2006. Você pode ler o texto completo aqui: http://www.unodc.org/pdf/brazil/ConvONUcorrup_port.pdf

Não por acaso, no dia 10 de dezembro celebra-se mundialmente o Dia dos Direitos Humanos.

A corrupção é alimentada diariamente por pessoas físicas e jurídicas. Custa a você, contribuinte, cerca de 1 trilhão e 300 bilhões de dólares ao ano, pelo mundo afora!

Quando você oferece uma "cervejinha" para não ser multado, ou dá uma "gratificação" a um servidor público para um documento sair mais depressa (ou para ser suprimido...), quando paga uma "caixinha" a alguém, você colabora com o fortalecimento da corrupção.

No Brasil, o custo da corrupção foi estimado entre 50 a 84 bilhões de reais só no ano de 2010.

No trabalho cotidiano, espraiado em inúmeras ações civis públicas por atos de improbidade administrativa, nas denúncias criminais, no controle externo da atividade policial, na atividade de fiscal da lei, o Ministério Público Brasileiro é um dos líderes e peça-chave no combate à corrupção.

Perceba o reflexo da corrupção na vida do cidadão e conscientize-se.



Observe as recomendações do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), entre outras:



  • Ensinar os jovens sobre o que é um comportamento ético, o que é e de que forma combater a corrupção e encorajá-los a exigir o direito à educação. 
  • Assegurar que as gerações futuras tenham a expectativa de um país livre da corrupção é uma das 
  • formas mais eficazes de garantir um futuro melhor.
  • Denunciar casos de corrupção. Criar um ambiente propício para garantir o Estado de Direito. 
  • Recusar-se a participar em atividades que não sejam lícitas e transparentes. Ampliar os investimentos internos e externos. Todo mundo está mais disposto a investir em países onde os fundos não são desviados para os bolsos de corruptos. 
  • Promover a estabilidade econômica, reforçando práticas de tolerância-zero contra a corrupção. Uma comunidade empresarial aberta e transparente é a  pedra fundamental de uma democracia sólida.


Leia mais aqui: http://www.unodc.org/documents/yournocounts/print/materials2011/leaflets/corr11_LEAFLET_SMALL_PT.pdf


P.S.: Dentro da perspectiva de que o Direito Penal pode e deve ser instrumento de garantia dos Direitos Humanos, na próxima semana Procuradores da República que atuam na área criminal em todo o país, incluindo eu, estaremos reunidos em Brasília. O foco principal dos trabalhos será a corrupção e as metas do MPF para 2012. Informações, dados e resultados serão apresentados aqui no blog, entre 12 e 14 de dezembro.

Você pode consultar a programação aqui:

http://2ccr.pgr.mpf.gov.br/docs_institucional/eventos/xi-encontro-nacional-2011/Programacao%20-%20XI%20Encontro%20Nacional%20da%202a%20Camara.pdf

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ranking da Percepção da Corrupção 2011



Anualmente, a Transparência International divulga o Corruption Perceptions Index - Índice de Percepção da Corrupção.


O índice refere-se à intensidade pela qual a corrupção no poder público é percebida pela população. Numa escala de 0 a 10, o zero significa alta percepção de corrupção e dez um baixo nível de percepção. Ou seja, as primeiras posições referem-se à avaliação, pela sociedade civil, de um poder público percebido como não corrupto.

Na edição 2011, dos 183 países avaliados o Brasil está em 73º lugar. Estava em 69º em 2010. Apesar de descer quatro posições, a média de percepção de corrupção manteve-se praticamente a mesma: de 3,7 em 2010 para 3,8 em 2011.

A Nova Zelândia é a campeã da não-corrupção: 9,5.

Empatados na última posição, como países nos quais a corrupção é mais fortemente percebida, Coréia do Norte e Somália, com 1 ponto.


Você pode acessar o relatório completo (em inglês) aqui:
http://cpi.transparency.org/cpi2011/results/


Leia também - BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111129_corrupcao_brasil_indice_mm.shtml